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domingo, 13 de maio de 2018

SAUDAÇÃO ÀS MÃES

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Hoje, segundo domingo de maio, dia treze, é uma data de muitas comemorações em nosso país. É o Dia das Mães que, coincidentemente, caiu no dia consagrado à Nossa Senhora de Fátima, por sua aparição em mil novecentos e dezessete. Comemora-se também, a Ascensão de Jesus aos céus. Dia treze de maio de um mil e oitocentos e oitenta e oito a Princesa Isabel assinou a lei áurea que daria fim a vergonhosa escravatura no Brasil. É o dia das Comunicações Sociais (dia das notícias, dos jornais, dos jornalistas, dos comunicadores etc). Hoje ou ontem (12/5) faz cem anos que foi estabelecido o dia de homenagear as mães no Brasil – Centenário do Dia das Mães. A história começou em pequena cidade dos Estados Unidos quando Ana Jarvis resolveu homenagear a mãe convidando as amigas dela para um café, em 1907, e dali em diante toda a cidade tomou essa prática, até que em 1914 o presidente daquele país tornou o dia oficial. No Brasil estabeleceu-se a data, treze de maio, em 1918, porém, foi em 1932 que o Presidente da República oficializou o Dia das Mães para o segundo domingo de maio. Em Portugal a comemoração já se deu no domingo passado (seis de maio). Presto homenagens a todas as datas mencionadas, mas para exaltar as mães que geram, outras que criam, terceiras que educam, mães que atendem, e tantas outras, compus um poema especial a elas e aqui o deixo como meu penhor simples, mas singular e magnânimo pela própria grandeza da figura homenageada, a mãe.

SAUDAÇÃO ÀS MÃES
Autor: Laerte Sílvio Tavares.


Dia das Mães é um dia que se passa /
No mês de maio, sagrado à Maria, /
A mãe da Deus. Que as mães neste dia /
Recebam dela a consagrada graça /
De luz e bênção, a luz que se enlaça /
Ao filial amor, do qual me ufano /
Por ser amor de Deus Pai Soberano. /
Então, que o dia seja só de amor! /
O amor que traz amor, e aonde for /
Dará a luz que dá à luz ao ser humano.

terça-feira, 1 de maio de 2018

SONHOS

                                  LAERTE SÍLVIO TAVARES - O ENGENHEIRO CONSTRUTOR DE VERSOS -                                                                             OBRA DO ARTISTA PLÁSTICO CATARINENSE BONSON.

ANTOLOGIA DE POESIA DA EDITORA CHIADO - PORTUGAL 
 "SONHOS" - LAERTE SÍLVIO TAVARES 



SONHOS

O meu sonho é enorme...
Não posso ser pequeno!
Vamos à voga e à vela. Ao sonho aceno
Que o seguirei igual como quem dorme.
Traço meu rumo ao dele, a estar conforme
Para singrarmos já  ao pano pleno.
Dada ambição, sem vento, eu me enveneno,
Corrijo rota, a fim que se transforme
Vaga viagem à vã velocidade,
Veloz; volvendo ao vento vil vindo que invade
Vão do velame inteiro, eu ultrapasso
O sonho meu sem leme e sem sentido.
Ao me acordar no oceano, perdido,
Nada planejo! Nada sou, nem faço!...

Na cama,  eu viro, durmo e me atrelo
Ao lindo sonho em um reino encantado.
Príncipe sou, e uma princesa ao lado
Conduz-me à dança no amplo castelo
Onde graceja um só polichinelo
Junto de súditos daquele reinado.
Danço com a dama de rosto colado,
Mas eis que ela, contrária ao meu fado,
Afasta o rosto e me acorda ligeiro.
Ao ver que o sonho foi tão passageiro
Retorno a ele, qual fiel soldado
E aos risos, danço. Meu ser verdadeiro
Mantém-se alegre quase o dia inteiro,
Feliz da vida e sonhando acordado.


sábado, 21 de abril de 2018

UMA HOMENAGEM À MULHER

Lembro-me de homenagem que fiz no DIA INTERNACIONAL DA MULHER e receber em textos nas postagens de comentários deste blog, não existir dia predeterminado para enaltecer a mulher, pois todos os dias seriam dias para um carinho ao ego dessa maravilhosa entidade. Colocado isso, vejo não haver extemporaneidade alguma em hoje postar matéria com tal contexto. Bem, eu homenageio a mulher e "por tabela (na mesa de bilhar)", não deixo de, por vaidade, homenagear a mim também, postando, com grande contentamento, poema de minha autoria editado na REVISTA FENIX. Meus agradecimentos e elogios à escritora Alexandra Magalhães Zeiner pela iniciativa da referida edição. 





domingo, 15 de abril de 2018

HOMENAGEM AO CONGRESSO INTERNACIONAL COMEMORATIVO DOS 270 ANOS DA PRESENÇA DOS AÇORIANOS EM SANTA CATARINA


                                                


    PROGRAMAÇÃO     
Fonte/imagem web

                           
      Programação: 270° ano da 
    presença açoriana em SC 

  
“As Velhas” da Ilha Terceira - Açores
Cantar “As Velhas”

     Segundo dados colhidos, cantar As Velhas é uma poética de exclusividade da Ilha Terceira.  Conceito que se assemelha às cantigas trovadorescas de escárnio e maldizer, com base no improviso, entre dois cantadores, ao som musical de uma viola, entre as de evidências, estão, a viola da terra com 12 cordas e viola da Terceira 18 cordas, todas de arame. Embora diferente do canto ao desafio, alguns estudiosos defendem, que nas velhas há a situação risível, em qual o cantador tem por objetivo apresentar uma resposta ou réplica mais original e melhor, da apresentada pelo seu oponente, sem o desafiar.
O fenômeno da insularidade deixou marcas no espírito dos açorianos. Cinco séculos de isolamento físico, e de contato permanente com o mar de horizontes finitos, passando por cataclismos vulcânicos, o povo caldeou uma religiosidade gerada, precisamente, no terror sagrado de sismos e vulcões, que foram fatores que marcaram e moldaram o modo de ser, de pensar e de agir do açoriano português.
Quanto à origem da cantiga As Velhas, pouco da sua história se sabeÉ indiscutível que foi levada pelos primeiros povoadores. A influência pode ter sido brasileira, africana e também americana. Tudo leva a crer que esta canção tem afinidades com as cantigas de escárnio e maldizer e também com a poesia trovadoresca da Idade Média. Pode ter influência com a Cantiga Chacota, canção de “fazer rir verdades e fantasias”, um dos gêneros musicais utilizados por Gil Vicente para “criticar, troçar de tudo e de todos, mas a todos divertindo”.
As Velhas possuem uma estrutura poética constituída por uma sextilha e uma quadra. Nas trovas não se faz crítica usando os nomes próprios dos visados. A denominação quase sempre se volta à “velha ou velho, meu avô ou minha avó”, figura familiar a representar o adversário de um dos integrantes, mesmo que com o tempo, o tema das cantigas partiu para a revelação de uma crítica social a ser denunciada.
Eis abaixo algumas letras de autoria de Laerte Tavares, a expressar personagens locais da Ilha catarinense:

Velha lá da Joaquina,
Quando jovem era divina,
Tendo a bunda tatuada

Com uma pomba singela
E grande águia atrás dela
Tentando uma rapinada.

Hoje, essa velha é um caco,
Virou sombra, pele e osso,
A pomba foi pro buraco
E a águia enfiou o pescoço.

********

Velho devoto e aflito
Lá da Enseada de Brito,
Pediu um milagre ao santo.

Queria uma companheira
Rica, bonita e faceira,
Para viver no seu canto. 

O triste ganhou, no entanto,
Uma encrenqueira vizinha.
Pensou ser obra do santo,
Mas foi praga do Peninha.

********

Velha da Beira-Mar Norte,
Tinha jurado de morte
A amante do marido

Que era uma inflável boneca
Imunda, feia e careca
Trajada em velho vestido.

Quando a velha a dá um tiro,
A boneca se desfaz
Em prolongado suspiro.
- Matei ele! É Satanás!... 

********

Velha da Praia do Meio,
Dizia ter só um seio
Que era do lado direito.

Um velho que a tinha em mira,
Apostou que era mentira
Que tivesse tal defeito.

Depois do tratado feito,
A velha deu seu recado:
- Eu tenho à direita um peito,
E o esquerdo, do outro lado.

********

Velha lá de Itaguaçu
Parecia um baiacu,
Tamanha a pança que tinha.

Dizem que na juventude
Ela esbanjava saúde,
Muito elegante e magrinha.

Contou-me um velho tarado
Que ainda transa com ela,
Mas trai a velha ao seu lado,
Só pensa nela em donzela.

********

Uma velha lá de Ganchos
Tinha as pernas de garranchos
Iguais a ramos de junco.

Além da coluna torta
E olhar vidrado, de morta,
O seu nariz era adunco.

No parto quem atendeu,
Foi velha Maria Moura
Que, vendo o semblante seu,
Pôs à mãozinha uma vassoura.

********

Velho que casou de novo
Convidou todo o seu povo
À festa de casamento.

Em meio, tomou um Viagra,
Pegou a noivinha magra
E subiu ao aposento.

Quando o defunto cresceu,
A noiva o puxa, excitada.
- Espera! O “pileco” meu,
Eu vou mostrar da escada.

********

Velha da Ponta de Baixo,
Tinha um garoto por “cacho”,
Rapaz bonito e atrevido.

Um dia pegaram os dois
Num matagal, e depois
Ouviram triste gemido

Acharam o rapaz pelado
Com a velha rapariga
Que dava um gemido uivado
Com o rabo num pé de urtiga.

********

Velha lá de São Miguel
Tinha um nefasto papel,
O papel de cafetina.

Anunciava ao povo
Ter sempre um brotinho novo
Sensual - linda menina.

Ela engendrava o programa
Com um moço à bela donzela.
Mas fazendo um melodrama
Quem vinha nua, era ela.