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quinta-feira, 23 de março de 2017

SAÚDE PAZ E AMOR


Hoje cedo levantei e à janela olhei o mar, lembrando ser aniversário da minha cidade que deveria chamar-se ondina, a ninfa das águas e chama-se Florianópolis em homenagem à figura déspota, segundo algumas opiniões de cidadãos daqui. A cidade denominou-se inicialmente, Póvoa de Santa Catarina, por estar situada à Ilha de Santa Catarina. Depois Póvoa de Nossa Senhora do Desterro. Posteriormente, Vila do Desterro, e finalmente o nome atual.

Ao meu gosto, seria Ondina, nome de mulher, deusa, como realmente ela é – divina, maravilhosa e adorável. Não poderia deixar de homenageá-la com um poeminha à musa e deusa de meus sonhos, neste dia.

Ilha, ao teu aniversário,
Eu te saúdo e devoto
O mais extraordinário
Amor, de tempo ignoto!

Saúde!... Contigo eu brindo,
Erguendo alto esta taça!
Peço a Deus a luz e graça
Ao teu futuro, bem-vindo,
Oh Ilha!... Que seja lindo
Teu porvir, amor de Ilha!

Tu és estrela, és a filha
Da luz, posta ao oceano
Com o destino soberano
De uma estrela que brilha.

Só quero paz, a esta Ilha!
Extrema paz sem ser morte.
Quero a única quadrilha
Que tiver que ter, por sorte,
Seja a de festa junina
Sob proteção divina.

Mais paz, e muita alegria
A esta Ilha de idílios,
Terra de luz e magia!
Que acima do supercilio
De quem na Ilha pensar,
Pense no bem do lugar!

Meu amor, por ti, Amor,
É amor sem dimensão,
Intenso qual explosão
Do meu ser interior
A expandir seu clamor
A torto e a direito, a torto...
Desde que fundeei no porto
À tua beira e fiquei
Morando por gosto – lei.
Zarpar? Só depois de morto!... Tavez...





quarta-feira, 8 de março de 2017

MULHER

BENZEDEIRA DA ILHA DE SANTA CATARINA- FLORIANÓPOLIS SC

Hoje eu quero mandar flores
A todos os meus amores, 
À Rainha de Sabá,
À dama de Calcutá,
Para a minha mãe também
Que me vela do além.
À minha mulher amada,
Já a trouxe à luz da alvorada,
A eleita rosa encarnada.
Flores para Gioconda
Que tanto me olha e sonda.
Flores para Salomé,
À Virgem de Nazaré,
Àquela linda menina,
Sheherazade, Messalina...
Flores para a matriarca,
Às súditas e à monarca.
Flores à índia guerreira,
Para a mulher benzedeira.
Flores, flor, flores e flor
Com muito afeto e amor
Neste dia da mulher
Que a homenagem é mister.
Dia de consagração
Por tamanha devoção
Que devoto ao ser querido.
Mulher faz todo o sentido
Da minha vida e  destino.
Mulher é o ente divino
Que tanto me faz sonhar...
Viva o seu dia! E um altar...



quarta-feira, 1 de março de 2017

FIM DE CARNAVAL




Terminou o Carnaval,
E do meu ser, o descanso.
Agora faço um balanço
Desse grande festival,
Bem como do ritual
Do corpo meu e da alma,
Analisando com calma,
Feito o dono da folia
Que não entrou na orgia
E só no fim bate palma.

Havia dentro de mim
Um palhaço que não ria
Pelo cansaço da orgia.
Existia um Arlequim
Que rompeu com a Colombina.
E tinha um poeta triste
Que até ao momento insiste
A sorrir às gargalhadas,
Aos passos e às palhaçadas,
Com o indicador em riste.

Aos sonhos, viro palhaço
Que é minha alma encantada
A não ligar a mais nada
Do corpo meu com um traço
Alegre e, já, a ensaiar um passo
De samba, desajeitado,
Mas cumpre da alma o fado
De ser festeira, e meu ser,
Num êxtase de prazer,
Gargalha como um tarado.

Dizem que o Ano Gregoriano do Brasil tem início apenas depois do Carnaval. Vamos, pois, à luta, afinal moro numa ilha ligada àquele país por três pontes... Nós cá, não iremos iniciar o ano agora, não! – Só na segunda-feira, aliás: ninguém é de ferro! Porém eu, particularmente, me obrigo ao batente. Afinal, meu filho reinicia as aulas amanhã e vou ajudá-lo nos deveres de casa...
Mas a festa continua. Esta Ilha, dizem ser a décima ilha dos Açores, dada a uma maciça colonização com gente de lá e ao espírito festeiro ou festivo desse povo. Hoje deu-se o encontro dos foliões com as beatas. Uns ao fim da orgia matinal e outras no início do período matutino e do “ano litúrgico” à missa de cinzas. Uns não olharam às outras e vice-versa.

De meu balanço, o que acho mais engraçado, são os cacófatos de nomes que denominam certos Blocos Carnavalescos, a começar pelo “PASSANDO A PONTE A PÉ”. Depois vem o “O BAIACU DE ALGUÉM”,  “ESQUENTA, BACO!” e mais uma infinidade deles. Houve até interferência eclesiástica a solicitar que certos nomes fossem abolidos e o Bispo Diocesano pediu, os foliões atenderam. Sei que o “AMANHECE, BOM JESUS!” persistiu uns tempos, mas “A POMBA DIVINA”  foi retirado antes de pensar entrar na folia. Há outros nomes engraçados, como o “NAVEGAY”, “O MARISCO DA MARIA”,  “O NÔ DI” (eu não dei), “AS ÁGUAS VÃO ROLAR” (funcionários da Empresa de Saneamento) e "O BLOCO DO ALZHEIMER" (...é com este que eu vou).
É!... E até ao próximo Carnaval!